Profissionais da saúde sofrem intimidação em Pronto-Socorros e Sindserv cobra providências

O Sindserv vem a público manifestar sua preocupação diante de episódios graves que vêm ocorrendo principalmente nos Pronto-Socorros de Franca. Profissionais da saúde têm sido alvo de agressões verbais, intimidações e coações durante o exercício de suas funções.

Essas situações não atingem apenas os servidores. Elas prejudicam diretamente o atendimento à população, comprometem o funcionamento das unidades de urgência e causam sofrimento psicológico aos trabalhadores que estão na linha de frente do serviço público.

O Sindserv deixa claro: não queremos impedir que ninguém exerça sua função de fiscalização. A fiscalização dos serviços públicos é legítima, necessária e faz parte da democracia. O que defendemos é que todas as partes respeitem os limites de atuação de cada pessoa, sem intimidação, exposição indevida, constrangimento ou interferência no trabalho das equipes.

Há consenso de que atitudes de violência, constrangimento e intimidação contra servidores públicos são inaceitáveis. Fiscalizar não pode significar coagir trabalhadores, expor pacientes ou prejudicar o funcionamento de um serviço essencial.

Equipes expostas, coagidas e impedidas de trabalhar

Nos últimos dias, uma equipe inteira de enfermagem ficou retida por mais de três horas em uma unidade de saúde. Também foram registradas filmagens e transmissões ao vivo nas redes sociais, expondo pacientes e profissionais sem consentimento.

O Sindserv reforça que apoia visitações legítimas e a fiscalização responsável. No entanto, o que tem ocorrido ultrapassa os limites aceitáveis e coloca em risco a dignidade dos servidores, a privacidade dos pacientes e a segurança do atendimento.

Cada pessoa deve exercer sua função dentro dos limites que lhe cabem. Vereadores têm o dever de fiscalizar. Servidores têm o dever de atender a população. Pacientes têm direito à privacidade, acolhimento e cuidado. Quando esses limites são desrespeitados, todos saem prejudicados.

Filmar e transmitir imagens dentro de unidades de saúde, sem autorização, viola a privacidade de pessoas em situação de vulnerabilidade e aumenta ainda mais a pressão sobre equipes que já atuam em ambiente de extrema tensão.

Impacto psicológico nos servidores e prejuízo à população

Trabalhar em serviços de urgência e emergência já exige enorme esforço físico, emocional e psicológico. Quando profissionais são submetidos a ameaças, intimidações e constrangimentos, as consequências podem ser graves.

Ansiedade, insônia, medo, esgotamento e depressão são alguns dos impactos relatados por trabalhadores expostos a esse tipo de situação. Um servidor traumatizado não consegue exercer plenamente suas funções, o que afeta diretamente a qualidade do atendimento prestado à população.

Além disso, quando uma equipe é imobilizada, coagida ou impedida de trabalhar, um paciente em condição crítica pode deixar de ser atendido no momento necessário. Isso representa prejuízo direto ao direito à saúde da população.

Mandato público exige responsabilidade

O Sindserv também destaca que ocupantes de cargos públicos eletivos têm responsabilidades ainda maiores diante da sociedade.

Invadir uma unidade de saúde, coagir profissionais e filmar pacientes e servidores sem consentimento são atitudes que podem configurar abuso de autoridade. O mandato público não autoriza práticas truculentas. Ao contrário, exige ainda mais responsabilidade, equilíbrio e respeito às instituições e aos trabalhadores.

A fiscalização deve ocorrer pelos caminhos corretos, sem exposição indevida, sem intimidação e sem colocar em risco o funcionamento dos serviços essenciais.

Sindserv toma medidas em defesa dos servidores

Diante dos episódios registrados, o Sindicato está tomando providências concretas em defesa dos trabalhadores.

O Sindserv está atuando junto ao COREN, oferecendo assistência jurídica e psicológica aos servidores afetados e solicitando investigação formal sobre os incidentes ocorridos nas unidades de saúde.

A entidade seguirá acompanhando os casos e cobrando providências das autoridades competentes para garantir segurança, respeito e condições dignas de trabalho aos profissionais da saúde.

Problema da urgência é falta de estrutura, não culpa dos trabalhadores

Quando um servidor público é atacado, toda a comunidade sofre. Quando a saúde pública é prejudicada, é a vida das pessoas que está em risco.

O Pronto-Socorro funciona com falta crônica de pessoal. O acordo de horas da urgência precisa ser alterado. Se a Prefeitura não liberar horas extras, o serviço vai colapsar. A culpa disso não é do trabalhador, mas da gestão pública.

Se alguém quer resolver o problema da demora, é preciso cobrar de quem tem poder de decisão. As vagas na Santa Casa são autorizadas pelo governador. Quer melhorar o atendimento? É preciso contratar mais servidores.

A Prefeitura mantém a folha de pagamento em menos de 30% da arrecadação, enquanto o limite prudencial é de 51%. Portanto, é necessário cobrar do prefeito, cobrar do governador e cobrar de quem tem a caneta na mão.

Violência não resolve: piora o serviço público

Tratar trabalhadores de forma truculenta não faz sentido. Ações de violência verbal ou intimidação destroem psicologicamente os servidores. A imobilização de uma equipe pode fazer com que um paciente crítico deixe de ser atendido.

Isso é prejuízo direto ao direito à saúde da população.

O Sindserv conta com o apoio da Câmara Municipal, da imprensa e da sociedade civil para deixar claro que a ética e o respeito são inegociáveis para quem exerce mandato público.

Fiscalização responsável é bem-vinda. O que não se pode aceitar é que, em nome da fiscalização, trabalhadores sejam coagidos, pacientes sejam expostos e o atendimento à população seja prejudicado.

Essas ações de violência não resolvem os problemas da saúde. Ao contrário, pioram o serviço público e colocam em risco servidores e pacientes.

Sigamos na luta em defesa dos trabalhadores, da saúde pública e da população de Franca.

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