Chamado à Luta
Por uma liderança que resiste ao esgotamento e foca nas conquistas reais.
Na última madrugada, precisamente às 3h30, o tesoureiro Glendison e eu iniciamos uma jornada de mais de dez horas de viagem rumo à cidade de São Paulo. O objetivo? Fortalecer nossos laços com a luta sindical nos âmbitos estadual e nacional. Para além do cansaço físico, essa viagem carregava o peso de uma rotina implacável: na noite anterior, conduzi uma reunião da comissão de negociação em São José da Bela Vista até as 21h. Essa é a realidade nua e crua que enfrentamos diariamente enquanto sindicalistas.
No entanto, ao longo dessa caminhada coletiva, temos nos deparado com comportamentos que ultrapassam os limites do tolerável e que precisam ser extirpados. É natural e compreensível que servidores da base, que compreendem a estrutura sindical, cobrem e apontem pequenas falhas da gestão em nossos grupos de comunicação. Isso faz parte do jogo democrático.
O que se torna inadmissível, contudo, é o fogo amigo. Ver membros da própria diretoria, que deveriam oferecer suporte nas fragilidades, apontarem o dedo com o único propósito de desestruturar um trabalho sério, que vem colhendo conquistas reais, é inaceitável. Essa postura de divisão tem gerado um sofrimento que vai além do assédio moral, beirando o esgotamento mental e físico da nossa equipe. Embora parta de um grupo restrito e irrelevante, o barulho que fazem tenta sufocar os avanços da nossa luta.
Trabalho que se Agiganta: As Frentes de Atuação
Enquanto uma minoria barulhenta se empenha em desgastar e destruir companheiros de trabalho, a atual diretoria desdobra-se em dezenas de comissões, coletivos e frentes de atuação para garantir direitos fundamentais. Nosso foco está em ações concretas:
- Acordos e Negociações Coletivas: Condução de acordos complexos em São José da Bela Vista (com possibilidade real de greve), além do acompanhamento das pautas e cumprimento de acordos em Franca, Cristais Paulista, Pedregulho e a preparação para a Negociação Coletiva 2027; necessidade do cumprimento do Acordo Coletivo de Franca.
- Defesa de Categorias Específicas: Pautas voltadas para a Guarda Civil, urgência e emergência, profissionais de Raio-X, videomonitoramento, condutores de ambulância (com 3 pautas para trabalhar), nutricionistas, agentes de saúde, servidores PCD e a escala dos coveiros.
- Saúde, Estrutura e Segurança: Atuação junto ao COREN em Franca; articulação legislativa e jurídica contra a violência sofrida por servidores públicos municipais; comissão de redução de jornada; comitê de saúde mental (NR-1); cobrança por manutenção de infraestrutura (como aparelhos de ar-condicionado) e soluções para os problemas estruturais do ESF Esmeralda e do CRAS Sul; questão do lanche noturno da Saúde; solução para falta de servidores no atendimento de Urgência e Emergência; cobrar manutenção preventiva dos ares condicionados; pauta dos Agentes da Saúde;
- Gestão Interna e Transparência: Organização administrativa e financeira do sindicato, prestação de contas com a tesouraria, regularização de atas de eleição, reformulação e organização do site institucional do SINDSERV e a contratação de um Revisor de Texto Jornalístico, organização do Podcast com o diretor Ademir; alteração estatutária;
- Sindicalização e Luta Macroeconômica: Enfrentamento essencial e diário contra o avanço da terceirização, atuação nas frentes estaduais e nacionais e mediação de conflitos em municípios como Rifaina e Ribeirão Corrente.
- Benefícios e Ações Sociais: Organização do Coletivo Educação, Coletivo do Turismo (organização de viagem), Baile do Servidor, Corrida do Servidor, Feira do Servidor, parcerias comerciais, entrega de jornais, visitas de base e o atendimento social humanizado a dezenas de servidores que enfrentam vulnerabilidades extremas.
Além desses blocos de pautas, há ainda demandas do nosso sindicato que são:
- Organização do evento intersindical de futebol;
- Organização da estrutura de central e federação;
- Comissão da Redução da Jornada Escala 6 x 1 sem redução salarial;
- Necessidade de organização das reuniões executivas e da regularização da ata da eleição sindical;
- CIPA em Franca e em todos os municípios da base sindical;
- Conselho Sindical;
- Reforma da Estrutura (já foi trocado telhado, alteração da recepção, pintura, manutenção geral);
- Trabalho na pauta do fim da folga abonada de Itirapuã;
- Atendimento de centenas de servidores por dia no whatsapp e ligações;
- Entregas do jornal;
- Visitas de base;
- Organização da CIPA;
- Atendimentos sociais de servidores que estão sofrendo penúrias;
- Comissão do Descongela, do qual temos processo administrativo em andamento;
- Organização e divulgação de parcerias;
- Acompanhamento e atuação diária nos grupos oficiais do sindserv (toda vez que um servidor sai, eu envio essa mensagem e tento resgatar;
- Outras dezenas de pautas que surgem diariamente.
Vale destacar que assumi temporariamente o setor de marketing do sindicato devido à licença médica grave da nossa vice-presidente. Mesmo em recuperação, ela continua acompanhando e orientando o setor que sempre conduziu com maestria. Somado a isso, há o atendimento diário a centenas de servidores via WhatsApp e ligações, além do esforço contínuo de resgatar cada trabalhador que decide deixar os grupos oficiais.
Humanidade Além do Cargo
Antes de ocupar a cadeira de presidente deste sindicato, sou filho, neto, sobrinho, irmão, advogado, trabalhador, esposo, tio e PAI. Somente após todas essas identidades humanas deveria vir o papel de sindicalista. No entanto, o compromisso que assumi com a categoria tem exigido o sacrifício desses deveres inatos. Este é um reflexo perverso da sociedade neoliberal na qual estamos inseridos: um sistema que adoece o trabalhador e do qual a própria diretoria do sindicato também acaba sendo vítima.
Por isso, enquanto esse grupo minoritário insiste em uma prática velha, ultrapassada e derrotada de “traição de classe” para nos cansar e rachar nossa unidade, nós respondemos com mais trabalho, afinco e dedicação.
Uma Lição de Consciência de Classe
Fica aqui um chamado à reflexão e à verdadeira consciência de classe: quando um companheiro falhar, estenda a mão. Se você sabe que um colega esqueceu o horário de uma reunião, não espere o erro acontecer para tripudiar ou criticar publicamente, avise-o antes, previna o equívoco, perdoe o lapso.
O erro é uma consequência natural de quem tenta inovar e construir o novo. Ele deve servir como informação para ajustarmos o rumo, nunca como uma arma para destruir o outro. Ainda cometeremos falhas na condução sindical, mas, quando elas ocorrerem, que venham acompanhadas do apoio necessário para corrigi-las.
O caminho é longo e repleto de obstáculos. Em vez de atacar, proteja. Em vez de ameaçar, acolha e dê segurança. Em vez de apontar erros com malícia, ajude a construir as soluções. Juntem-se verdadeiramente à luta trabalhista, pois a solidariedade de classe é a única ferramenta capaz de curar nossos males sociais e garantir uma vida digna a todos.
Samuel Gomide
Presidente do SINDSERV Franca









